Segunda-feira, Março 19, 2007

Um político que ama a sua terra!

Vejam bem, eu conheço o mundo, sei que temos de preparar o futuro e sei que o não estamos a fazer. Esta terra é atrasada, é pobre e é miserável. Quem é que pode viver aqui? Nem sequer há saneamento básico!...
Han? Bom, afinal, já há saneamento básico, mas o que interessa é que é uma terra muito atrasada. A electricidade não chega a todas as casas...
Já chega? Já chega a todas as casas, mas o telefone não!...
Também já chega, mas isso não retira o que estou a dizer. Meus senhores temos que fazer alguma coisa por esta terra. Por exemplo, precisamos de estradas e transportes como quem precisa de pão para... ah! pois já há estradas e transportes mas onde é que está a escola que tanto precisamos?...
Ao lado da biblioteca? Pois. Mas vejam a dimensão desta terra! Não passa de uma vila deprimida... Cidade?... De uma cidade deprimida, sem indústria... Ah! Pronto, sem indústria, excepto na zona industrial. Mas é preciso ir mais além, onde é que podemos aceder à internet aqui? Pergunto eu, onde?...
Ah! No cybercafé... E na biblioteca... Claro, claro... Mas isso não retira o essencial: é uma cidade atrasada que tem que se modernizar rapidamente ou as pessoas fogem todas para Lisboa...
Já estamos em Lisboa, isto é Lisboa? Pois claro que é, pois claro... Bom, agora se não se importam vou andando que ainda tenho muita coisa para... apanhar.

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

E eis-me aqui.... finalmente!

Antes de mais, cabe-me justificar a razão pela qual a Floribela Garfunkel só hoje, mais de um mês após o arranque deste pequeno grande blog quando, no início da sua constituição, já era dada como fundadora. Na verdade, a razão transcendeu-me completamente. A verdade é que o Millennium BCP telefonou aos meus pais a perguntar se eles não queriam ter um filho para fazer uma campanha de publicidade sobre o blog «Pequenos Portugueses» com a possibilidade de ficar como fundadora. Eles disseram, inicialmente, que não. Entre o telefonema do Millennium BCP e a nega dos meus pais, perderam-se logo dez dias e meio. Depois o sr. Millennium disse-lhes: «mas olhe que vamos pagar 25345264 e 15 cêntimos». E a minha mãe, que é mais baixa disse: Ina pá… e lá foram produzir-me. O acto de produção em si durou pouco – uns escassos 4 minutos – o que, manifestamente, não justifica o atraso da minha participação. Mas o acto de parir voltou a atrasar o processo da escrita e não fosse eu ser um ser extremamente precoce, seriam precisos duas vintenas de anos até chegarmos a este ponto, o do meu primeiro post. Em suma, estão na presença de uma Floribela da 15 dias, com um QI muito acima da média das crianças recém-nascidas. Parabéns, antes de continuar, aos meus pais que acabaram de receber o cheque do sr. Millennium e ao sr. Millennium que fez a contratação da vida dele. Passando ao que me traz. Na semana passada o nada pequeno e ainda menos português Augusto Pinochet dizia ao mundo que não guardava rancor de ninguém. Enquanto escrevo estas palavras, está o senhor Pinochet a lutar contra um enfarte do miocárdio, depois do seu amigo de longa data de nome pacemaker o ter deixado mal. Até tu Brutus, disse Pinochet ao seu pacemaker, mas nem assim lhe disse que guardava rancor. Pois nós, pequenos portugueses, também não guardamos rancor ao sr. E amigo de longa data pacemaker. Mas esta história de um incompreendido– certos, causou alguns danos colaterais com a morte de milhares de pessoas mas na verdade não foi por mal – faz-me pensar nos incompreendidos portugueses que Portugal agradece não terem guardado rancor ao país. Enumero alguns:

Durão Barroso:

sr. Durão Barroso, não se preocupe que não lhe guardamos rancor por ter agarrado a oportunidade de chegar a Presidente da Comissão Europeia, ter ido ganhar mais, num país muito mais civilizado, onde, apesar de não haver cherne, tem gente muito mais VIP com quem ir almoçar e, além disso, consigo a Turquia pode ser que até entre para a União Europeia e o que seria de nós sem esse grande país que há décadas que aterroriza e mata à fome os cipriotas turcos e gregos sem falar nas proezas fantásticas e criativas contra as mulheres que insistem que têm direito a não levar porrada dos maridos todos os dias e que preferiam que isso só acontecesse ao Domingo. Além disso, tenho a certeza que com a Turquia a mamar dos fundos comunitários, Portugal vencerá a sua batalha pelo último lugar dos países desenvolvidos da EU e que os fundamentalistas e radicais religiosos perceberão as vantagens da Turquia ser da orla comunitária e imediatamente desistirão de pôr bombas em locais públicos com uma demografia de 1000 habitantes por cm2 e passarão a aliados contra a Coreia do Norte e o Irão. Mas, mais do que tudo isto, obrigada por gostar de cherne. Os pescadores precisam de toda a ajuda que conseguirem.

Sr. Zé Povinho

Obrigada por representar tão bem o povo português e desculpe por nomeá-lo a seguir ao sr. Durão Barroso. Agora que penso nisso, é de facto uma injustiça. Mas adiante. Obrigada, sr. Zé Povinho. Nenhum frigorífico está completo sem os órgãos genitais expostos e as suas faces rosadinhas. Sem si, os oleiros de Mafra estariam falidos ou então ainda lhes pediam para fazer alguma coisa com alguma qualidade estética e isso seria um problema sem solução à vista. A intenção do sr. Rafael Bordalo Pinheiro nem era má, a de reagir contra os impostos do gajo que agora até tem uma avenida com o seu nome – Fontes Pereira de Melo – mas o povo preferiu incluí-lo no rol de bibelots que decoram a casa e, portanto, gostam, efectivamente, de ter um boneco virado para eles a mandarem-nos para aquele sítio constantemente. A culpa não é sua. Ainda assim, é engraçado o seu destino: tal como o Fontes Pereira de Melo (que por acaso até é uma av. Onde não me importava nada de morar) tenha sido o mesmo: mandar toda a gente à merda. Eu também gostava de o fazer de uma maneira não discriminada, por isso, admiro-o. No entanto, e por agora, vou optar por não o receber em minha casa, porque não acho muita piada a ser mandada para esse sítio sem razão nenhuma.

Sr Santana Lopes

Não posso deixar passar em branco o seu último contributo para a sociedade civil, sem a qual nenhum português entenderia bem porque raio é que ainda ontem estava na Kapital a beber um whisky ou dez e no dia a seguir estava a levar as mesmas loiras que lá estavam a servir copos para S. Bento. Ficámos a perceber que foi tudo uma cabala para o tirar da movida lisboeta e, quando já estava no 5º passo dos 10 mandamentos dos alcoólicos anónimos o devolveram ao sítio de onde nem sequer queria sair. O Sampaio e o Sócrates fizeram-na bem feita e – cá entre nós – o cherne é bem capaz do ter entalado também. De qualquer forma tudo está bem quando acaba bem e agora pode voltar para o seu próprio pacemaker: o Jameson. Os funcionários da destilaria agradecem-lhe porque já estavam a pensar em despedir pessoas por causa de uma quebra nas vendas e agora até estão a pensar abrir uma sucursal em Portugal e aproveitar os trabalhadores da fábrica da Azambuja. Entre salvar o concelho da Azambuja ou repetir a proeza da Figueira da Foz em Portugal, não hesite. O povo está consigo. Para a Azambuja, já e em força! Despeço-me e retiro-me para a incubadora onde continuo a desenvolver-me num ritmo muito acima da média para fazer face às exigências do sr. Millennium.

FG

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Fernando Rocinha – 1477-15??


O “homem do leme”, como lhe chamava Pedro Álvares Cabral que o arrancou das sarjetas junto às tascas de Lisboa, no tempo em que ele nem se desviava de um “água vai”. Famoso pela sua perícia em pilotar barcas na Ria Formosa, foi recrutado pelo descobridor do Brasil para pilotar a caravela que encabeçava a segunda expedição à Índia em 1500. Acabaria por ser o “Nandinho” o responsável pela descoberta da Terra de Vera Cruz.

A expedição
A presença do Rocinha nunca foi bem vista na expedição. Os seus hábitos alcoólicos eram conhecidos por todos e Nicolau Coelho tinha-o recusado na expedição de Vasco da Gama onde foi um dos comandantes. Os irmãos Dias, Bartolomeu e Diogo, (o primeiro foi o primeiro a dobrar o cabo da boa esperança e havia de lá morrer nesta expedição) consideravam Rocinha um bêbedo que não merecia a bebida que lhe circulava no sangue. Num acesso de raiva, Rocinha chegou a dizer a Bartolomeu: “Os teus dias estão a chegar ao fim”. Outro grande inimigo de Rocinha era Pêro Vaz de Caminha que o apagou por completo da crónica da expedição.
O próprio rei, D. Manuel, terá dito a Cabral para ele deixar o bêbedo Rocinha em terra e já agora, de caminho, investigasse a informação de que haveria terra em frente a África. A expedição partiu e Rocinha ia tremelicante mas sóbrio.

A descoberta
Perto de Cabo Verde, porém, a vida de Rocinha ia mudar. A nau que levava o companheiro de desgraças de Rocinha — José Vidigal — desapareceu misteriosamente. Rocinha desgostoso aguentou-se. De seguida, frente à Guiné, a expedição “toma o barlavento”. O italiano Vespúcio não sabendo de nada resmunga e culpa Rocinha que já estava fora de si de tanto tempo sem beber. Mas era Cabral que mandava e avançou-se. O vento porém, mudou e a armada volta às costas de África. Cabral, consciente de ter feito o que podia, deu ordem para seguir para sul e foi-se deitar. Mas Rocinha, ao leme, sozinho, desgostoso decidiu aquecer-se e embebedou-se que nem um porco em alto mar. Quando acordaram já as naus estava perdidas. Pouco depois avistavam-se indícios de terra. O resto é história.

O primeiro presidente do Brasil
Mas Fernando Rocinha não seguiria na expedição. Depois de ver as “moças muito moças e gentis, com cabelos muito pretos e compridos a tombar pelas espáduas e suas vergonhas tão altas e cerradinhas que delas vergonha não pode haver”, Rocinha decidiu ficar, para alivio de todos excepto do nativos. Com ele ficaram dois degredados e um grumete que ele nomeou ministros. Até voltarem os portugueses, Rocinha viveu como um presidente brasileiro, o primeiro. Mas a partir daí, a história deste homem que também foi o primeiro antimonárquico de que há história, continua por fazer. Rocinha acabou desgraçado. Hoje, dele, apenas resta o nome da maior favela do Rio de Janeiro.